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wDiário do Pierrot. |
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O diario do Pierrot para amigos e ilustres desconhecidos e descobridores da vida
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wSexta-feira, Novembro 02, 2007 |
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Como são.
Recentemente li que uma criança de três anos de idade havia sido seqüestrada por uma falsa enfermeira, dentro da maternidade em um Hospital na Serra-ES. Dias depois, vi a mesma notícia veiculada no Fantástico e a ficha caiu. A sensação de impotência, misturado a outros sentimentos primitivos e tradicionais, me tomou sentado no sofá. Fiz uma prece pra Deus não permitir que aquela criança padecesse de outra maldade, cruel e que chegasse viva, aos braços dos pais novamente.
Também na internet, li que a polícia havia localizado a seqüestradora e também o neném vivo. Desta vez, foi a gratidão que me invadiu. Liguei pra Renata e avisei de que a criança havia voltado para o seio dos pais. Interrogada pela polícia, a seqüestradora disse o motivo do crime. Dias atrás havia perdido seu filho e estava completamente infeliz e por isso, resolveu tomar uma outra criança, de preferência recém-nascida, afim de que assumisse o lugar de seu filho/filha.
Dito isto, fiquei pensando nos motivos que levam ás pessoas a cometerem os mais diversos atos. Por vingança, por inveja, por ciúme, por ganância, por medo. Não importam as formas, cruéis, requintadas, frias ou apavorantes, os intentos precisam ser alcançados. Desta vez, a história teve um final feliz, mas tenho quase certeza que o primeiro conto que este menino/menina ouvirá de seus pais quando criança não será de Branca de Neve, Cinderela ou de Chapeuzinho Vermelho, mas sim a história de uma criança que quase teve sua vida completamente alterada após 3 dias de permanência na Terra.
Vale tudo?
Pra alcançarmos nossas metas e planos, pra desfazermos as bobagens que fizemos ou mesmo, pra consertar as armadilhas do destino, vale tudo? Será que todo dia estamos dispostos a transformarmos a selva de pedra no melhor habitat para os homens de pedra? O que temos em nosso coração? O que movimenta o nosso peito em meio à comoção?
Venho aprendendo que não é possível vencer sempre e, algumas vezes, já abdiquei da vitória em momentos humanamente falando, cruciais. Se meu êxito significa o fracasso ou insucesso de um semelhante, de que me vale o troféu?
Não confio em ninguém com mais de 30.
Daqui a 1 mês faço 33 anos e daqui a 1 mês e 1 dia, 10 anos de casado. Muitos números não? É. Tem sido bom, sem falsidade. A visão física se esvai e a da alma, se dilata. Enxergar, enxergar, ver, ver. Tudo fica na cara. A consciência não fala mais. Grita. Os erros são quase todos propositais, já não mais usam como álibi a falta de experiência, a “verdice”, a ansiedade. Da janela da minha sala, o meu céu é diferente de quando o enxergava há 20 anos. Algumas incertezas crescem e o processo de desproblematização se encorpa. Aquela velha frase de que “só não existe solução pra morte” vai norteando nossas adversidades e a confiança marca nossos bate-papos, nossos códigos de comunicação e as nossas provas não estudadas. Olho pro meu corpo (de 99 kg, diferente dos 69 kg de 10 anos atrás) e vejo as marcas da minha preguiça, do meu desleixo e da minha felicidade. Deixei de ser atleta da vida, pra ser comentarista. Não sou mais um mentiroso que diz ser músico, mas um músico que aprendeu a mentir, em nome da arte. Deixe-me explicar essa história. Sempre tive orgulho do meu pai. O cara era o “cara”. Músico virtuoso, sensível e meio truculento. Poucas palavras. Como dizem curto e grosso. O som que ele tirava do clarinete, era puro, e, retundantemente sonoro. Sedutor. Me apresentou Beatles num disco chamado “The Beatles Ballads”, uma das mil coletâneas oficiais da EMI-ODEON, que tinha For No One, Michelle, Here, There and Everywhere, Across The Universe... Eu fingia que sabia tocar guitarra e me imaginava, tal qual Elvis em seus filmes preto e branco, rodeado de garotas. No meu caso, as tais, eram da 5ª série. Com Lennon e McCartney aprendi os prazeres de fazer a 3ª, comumente conhecida como 2ª voz. Só não aprendi a tocar nenhum instrumento. Mentia. Dizia aos colegas que sabia tocar teclado, que aprendi a tocar piano. Graças á Deus nunca fui confortado a mostrar meus dotes. Somente num aniversário de criança fui convidado a fazê-lo, mas isso é uma outra história. O tempo passou e o meu interesse por música cresceu mais do que o nariz do Pinóquio. Através da minha vó Iraci aprofundei-me no estudo de teoria musical e fui ter meu convívio com o piano. Comecei aos 10 anos... Passado todo este tempo, não somente aprendi a “tecladear” como, “pianear”, escrever, compor, reger, conduzir, arranjar... Um pouquinho de teoria, sensibilidade, ouvido e vontade. Quem diria que o garoto mentiroso que sonhava ser Paul ou John, tempos depois, tocaria num piano, em casamentos, em cerimônias... Mostraria suas canções pros amigos, pra esposa, para o pai? Ninguém diria, mas lá no passado, mentindo, eu disse.
A partir dos próximos posts, deixarei um link pra um blog que apenas dedicarei à inclusão de canções e histórias. Em princípio, colocarei a 1ª temporada de “Império”, uma série virtual. Uma série que vai tentar contar um pouquinho da vida de alguns personagens dentro de um... Banco! Espero contar com a participação (leitura) de todos vocês!
Pra terminar, deixo uma frase reflexiva do antropólogo social Roberto da Malta, em uma das suas colunas do Jornal O Globo:
“O povo brasileiro é o único no mundo que não sente inveja. Ele tem inveja.”
posted by
DANIEL DA COSTA JUNIOR at 5:34 AM
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